quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Oi,
Fui a minha psiquiatra, ela sabe exatamente o que e como dizer as coisas. Explico: combinei com uma amiga de viajar com ela para a terra dela e lá ficar pelo menos uns 15 dias. Ela me disse que não se importava se eu tivesse que parar dez vezes por dia para ir ao banheiro. Ela me ligou para ver preços de passagens Rio-Congonhas. Os preços estavam bons, combinei de fechar o mais depressa possível e surtei. Claro, que só surtei na madrugada. Tive milhões de pesadelos, enjôos, diarréias e afins. O café da manhã não passava pela garganta, as mãos tremiam como vara verde. Eu estava mal. ainda bem que hoje tinha consulta com a dra. L. às 14:20, conforme o papel que ela me deu. Levantei-me às 13, muito cansada, tomei banho, tomei café, escovei os dentes e fui. Fiquei um tempão no ponto do ônibus, vendo a hora passar. Dá para ir a pé, são só dois pontos, mas tenho medo. Finalmente, quando o ônibus chegou, vi que estava atrasadona, andei rápido pelas calçadas, subi ao 11º primeiro andar, toquei a campanhinha e entrei. A ante-sala estava vazia e ela não veio me atender. Fiquei olhando para o trânsito na rua, com a sensação de estar sendo observada por câmeras escondidas. Queria pegar uma revista, mas ao mesmo tempo ficava imaginando a dra. assassinada dentro do consultório e eu ali esperando. Seria a primeira suspeita se fosse embora, pelo menos deveria dar o alarme do corpo. Como não carrego bolsa, não tinha onde esconder uma arma.
Nisso a dra. abriu a porta, despachou a cliente anterior e me chamou, Contei-lhe todas as minhas aflições. O mal que havia passado, o medo de viajar e passar o primeiro aniversário de morte de minha mãe num lugar estranho. Incomodar pessoas que mal me conhecem com a minha dor...
Ela me perguntou se eu queria ir, disse-lhe que não, mas não tinha coragem de contar para a minha amiga, afinal quando precisei ela foi a número um a me amparar.
Então a dra. me disse para ser sincera com ela, que ela iria me entender, me disse para passar o aniversário de morte de minha mãe com a minha família, contando causos alegres sobre ela e fechando, assim, o luto.
Achei melhor. Cheguei liguei para a amiga que foi super compreensiva, "Santa Jú", e decidi quebrar minha promessa de não voltar à Baixada este ano. Preciso de minha família e não é hora de me afastar. Passarei o natal lá e o ano novo em casa, porque não resisto aos fogos de Copacabana, e vamos ver no que vai dar.
Quero ir ao cemitério conversar com a gaveta de minha mãe. Sei que ela não está mais lá, mas seu corpo está e isso me basta.
Chega por hoje, estou tomando Martini, já tomei o remédio pra dormir e meus olhos já estão cerrando.
Bye

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