quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Estou bem

Hoje estou bem. Peço desculpas a quem só gosta de ler morbidades, mas estou bem.
Não me lembro com o que sonhei (coisa incrível, sempre lembro dos meus sonhos, com detalhes). Minha mãe, numa época da vida, não se lembrava de seus sonhos e dizia que não estava mais sonhando. Eu lhe disse:
- Mãe, você está sonhando sim, só não se lembra. Todo mundo sonha.
Não sei se ela ficou mais triste ou mais alegre com a notícia, mas me disse:
- Eu vou orar e pedir a Deus para devolver os meus sonhos ou a minha memória - não foram exatamente essas palavras, mas foi esse o sentido.
Então, várias vezes eu a via orando. Um dia ela veio me contar que tinha voltado a sonhar e estava muito feliz.
Eu sei que sonhei a noite toda, só não me lembro, isso mostra que não foram sonhos intensos, como têm sido até agora.
Hoje, estava na cama vendo o jornal do meio-dia, quando o telefone tocou. Vi-me forçada a me levantar para atendê-lo, é claro que já tinham desligado. Aí arrumei a cama, igual ao meu nariz, e quando fui abrir as cortinas percebi que já estavam abertas. Fiquei pensando:
- Será que eu dormi com as cortinas abertas?
Não, lembro-me muito bem de tê-las fechado.
Então perguntei aos meus mortos:
- Foram vocês que abriram as cortinas?
Eles fingiram que não ouviram, ficaram "olhando pra ontem" disfarçando. Aí concluí que eu devo tê-las aberto e esquecido.
Tomei a benção à minha avó, à minha tia, à minha mãe, dei um olá para o Donia e fiquei ali sentindo uma vibração de felicidade vindo em direção ao meu coração.
Foi bom.
Conversei, depois, com duas irmãs, um irmão e com alguns sobrinhos (as), por telefone, e agora estou bem, só esperando terminar o Estúdio I, para tomar banho e ir ao mercado e à loteria (não necessariamente nessa ordem).
Intão, inté.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Quinta lembrança e muita dor na alma

Oi,
Estou meio pra baixo hoje, dirá você:
- Que novidade!!!
É mesmo, tenho que sair dessa, mas não sei como. Tem hora em que eu fico toda animadinha para fazer alguma coisa, mas aí vou desanimando, desanimando, no final, não faço.
Estava com vontade de sair e comprar sopa. Terei que mudar de roupa e isso já me desanima. Pelo menos hoje estou lavando roupa (é a máquina que está lavando, bem entendido) mas, ao menos, tive ânimo para colocar as roupas lá dentro. Agora, a porqueira do amaciante acabou e não estou a fim de ir ao supermercado, que fica em frente à minha casa, porque está sempre cheio.
Esta noite tive um sonho estranho. Sonhei que estava lá em Tomazinho e o pastor Ivaldo estava orando para minha mãe ressuscitar. Ela saiu do túmulo (no meu sonho ela estava enterrada num túmulo lá mesmo no quintal, na verdade ela está numa gaveta, num cemitério), veio caminhando para nós. Imagine você nossa felicidade. Minha mãe viva, novamente. O velho (meu pai, que morreu em 1990) vinha perguntar como aquilo havia acontecido e nós explicávamos, alegres. Mas, minha mãe não estava feliz, ela dizia que estava bem melhor morta, não sentia dor, não estava em lugar nenhum, não tinha consciência de nada, era como se estivesse dormindo. Fiquei triste por mim e por ela. Por mim, por saber que ela preferia a morte, por ela, por tê-la trazido de volta para sofrer novamente.
Depois disso, acordei. Triste.
Tinha posto o relógio para despertar às 11 da manhã porque não queria passar o dia inteiro dormindo como ontem, mas acabei ficando na cama até 1 hora da tarde e levantei sem vontade e sem motivo.
Depois das 4 resolvi tomar banho e procurar o termo de garantia da câmera da Mima, que não sei onde está. A última pessoa que disse que o viu foi a Jane, daí concluo que ele pode estar em qualquer lugar da casa, menos onde deveria. Terei que revirar quartos e sala.
No meu quarto procurei hoje, achei vária fotos de mortos que amo e amei. Saí colocando-os sobre a escrivaninha: minha avó Sunegundes (na verdade o nome dela era Maria da Conceição) que não cheguei a conhecer, minha tia Deó, meu irmão Adonias, ... só não coloquei foto do velho porque acho que ele não gostava muito de mim. Ainda vou colocar a do Antônio e a do vovô. Já que os vivos me abandonaram, viverei cercada pelos mortos. Deu certo para a minha mãe. Ela ficou assim e tempos depois morreu. Pronto. Está feliz. Não quer mais voltar.
Me deu vontade de chorar, meus olhos estão marejados.
Vou contar então mais uma lembrança que tive hoje:
Eu tinha 4 anos, o Adonias tinha acabado de nascer. Minha mãe estava trocando a fralda dele e deu falta do alfinete. Procurou-o, perguntou, depois ao ver-me muito quietinha com as mãos para trás, pediu-me para ver o que eu tinha nelas. Eu estava segurando o alfinete aberto. Ela quis saber o que eu iria fazer com ele. Eu respondi:
- Vou infiar no imbigo dele. É mais um que veio comer a minha comida!
Viram? Psicopata. Só me preocupava com a comida que vivia faltando e aqueles bebês sempre chegando famintos. Depois, o Donia (como o chamávamos) virou um grande fã meu. Fui quase uma mãe para ele. E, depois do da minha mãe, foi o falecimento que mais me doeu até hoje.
Inté.


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Oi,
Fui a minha psiquiatra, ela sabe exatamente o que e como dizer as coisas. Explico: combinei com uma amiga de viajar com ela para a terra dela e lá ficar pelo menos uns 15 dias. Ela me disse que não se importava se eu tivesse que parar dez vezes por dia para ir ao banheiro. Ela me ligou para ver preços de passagens Rio-Congonhas. Os preços estavam bons, combinei de fechar o mais depressa possível e surtei. Claro, que só surtei na madrugada. Tive milhões de pesadelos, enjôos, diarréias e afins. O café da manhã não passava pela garganta, as mãos tremiam como vara verde. Eu estava mal. ainda bem que hoje tinha consulta com a dra. L. às 14:20, conforme o papel que ela me deu. Levantei-me às 13, muito cansada, tomei banho, tomei café, escovei os dentes e fui. Fiquei um tempão no ponto do ônibus, vendo a hora passar. Dá para ir a pé, são só dois pontos, mas tenho medo. Finalmente, quando o ônibus chegou, vi que estava atrasadona, andei rápido pelas calçadas, subi ao 11º primeiro andar, toquei a campanhinha e entrei. A ante-sala estava vazia e ela não veio me atender. Fiquei olhando para o trânsito na rua, com a sensação de estar sendo observada por câmeras escondidas. Queria pegar uma revista, mas ao mesmo tempo ficava imaginando a dra. assassinada dentro do consultório e eu ali esperando. Seria a primeira suspeita se fosse embora, pelo menos deveria dar o alarme do corpo. Como não carrego bolsa, não tinha onde esconder uma arma.
Nisso a dra. abriu a porta, despachou a cliente anterior e me chamou, Contei-lhe todas as minhas aflições. O mal que havia passado, o medo de viajar e passar o primeiro aniversário de morte de minha mãe num lugar estranho. Incomodar pessoas que mal me conhecem com a minha dor...
Ela me perguntou se eu queria ir, disse-lhe que não, mas não tinha coragem de contar para a minha amiga, afinal quando precisei ela foi a número um a me amparar.
Então a dra. me disse para ser sincera com ela, que ela iria me entender, me disse para passar o aniversário de morte de minha mãe com a minha família, contando causos alegres sobre ela e fechando, assim, o luto.
Achei melhor. Cheguei liguei para a amiga que foi super compreensiva, "Santa Jú", e decidi quebrar minha promessa de não voltar à Baixada este ano. Preciso de minha família e não é hora de me afastar. Passarei o natal lá e o ano novo em casa, porque não resisto aos fogos de Copacabana, e vamos ver no que vai dar.
Quero ir ao cemitério conversar com a gaveta de minha mãe. Sei que ela não está mais lá, mas seu corpo está e isso me basta.
Chega por hoje, estou tomando Martini, já tomei o remédio pra dormir e meus olhos já estão cerrando.
Bye

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Chorando por dentro

Aqui eu posso dizer que estou triste, deprimida.
Quando alguém me vê assim, sempre me manda reagir, como se fosse simples. Não é não, gente. Depressão é uma tristeza que nunca passa, os remédios, como o próprio nome diz, só servem para remediar, no dia em que a gente não toma, lá vem ela com força total.
Se alguém me perguntasse qual foi o dia mais triste da minha vida, eu diria que foram todos, desde que minha mãe morreu. Até quando esse nó na garganta quando me lembrar dela? Até quando essa lágrima que vai para dentro e teima em sair pelo nariz ou então é engolida? Que dor! Quanta dor!
Vou lá tomar o antidepressivo e meio rivotril. Depois, vou assistir um filme. Que dor na minha alma!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Sem lembranças

Cheguei da minha psiquiatra. Mais receita de Rivotril 2.0 mg. Agora tomarei 1/2 à tarde (já tomei com cerveja) e um inteiro à noite (tomarei com a bebida alcoólica que tiver). Mais um remédio que me deixará alegrinha daqui a alguns dias,não me lembro o nome, só quero ficar alegrinha. Quero ter vontade de caminhar, de fazer mousses, pavês, comidas diferentes...
Quero ter vontade de viver novamente.
Ontem minha mãe teria feito 87 anos. Uma amiga uma vez me disse que nossas mães já estavam fazendo horas extras na vida, mas eu queria que a minha fizesse durante uns cem anos, com a vitalidade e vontade de viver que ela tinha, aí veio o filho-da-puta do câncer e a levou, com todo o sofrimento que ela não merecia. Então, ontem passei o dia na cama sem vontade de falar com ninguém, nem de me levantar para ver a vida. Foi o meu primeiro dia de finados triste, sempre fazíamos festa ou coisa parecida no niver da mamãe. Este ano foi só a lembrança de que ela partira e de que nunca mais estará aqui, dizendo que se a casa não estiver bonita ela não quer nada.
Que merda... estou chorando. Tenho várias lembranças pululando em minha mente, querendo sair e serem publicadas, mas só me lembro da minha mãe que nunca mais estará aqui. Quero morrer. Quero sumir. Quero não existir...
Chega por hoje. Estou um cocô empalhado...