terça-feira, 29 de novembro de 2011

Quinta lembrança e muita dor na alma

Oi,
Estou meio pra baixo hoje, dirá você:
- Que novidade!!!
É mesmo, tenho que sair dessa, mas não sei como. Tem hora em que eu fico toda animadinha para fazer alguma coisa, mas aí vou desanimando, desanimando, no final, não faço.
Estava com vontade de sair e comprar sopa. Terei que mudar de roupa e isso já me desanima. Pelo menos hoje estou lavando roupa (é a máquina que está lavando, bem entendido) mas, ao menos, tive ânimo para colocar as roupas lá dentro. Agora, a porqueira do amaciante acabou e não estou a fim de ir ao supermercado, que fica em frente à minha casa, porque está sempre cheio.
Esta noite tive um sonho estranho. Sonhei que estava lá em Tomazinho e o pastor Ivaldo estava orando para minha mãe ressuscitar. Ela saiu do túmulo (no meu sonho ela estava enterrada num túmulo lá mesmo no quintal, na verdade ela está numa gaveta, num cemitério), veio caminhando para nós. Imagine você nossa felicidade. Minha mãe viva, novamente. O velho (meu pai, que morreu em 1990) vinha perguntar como aquilo havia acontecido e nós explicávamos, alegres. Mas, minha mãe não estava feliz, ela dizia que estava bem melhor morta, não sentia dor, não estava em lugar nenhum, não tinha consciência de nada, era como se estivesse dormindo. Fiquei triste por mim e por ela. Por mim, por saber que ela preferia a morte, por ela, por tê-la trazido de volta para sofrer novamente.
Depois disso, acordei. Triste.
Tinha posto o relógio para despertar às 11 da manhã porque não queria passar o dia inteiro dormindo como ontem, mas acabei ficando na cama até 1 hora da tarde e levantei sem vontade e sem motivo.
Depois das 4 resolvi tomar banho e procurar o termo de garantia da câmera da Mima, que não sei onde está. A última pessoa que disse que o viu foi a Jane, daí concluo que ele pode estar em qualquer lugar da casa, menos onde deveria. Terei que revirar quartos e sala.
No meu quarto procurei hoje, achei vária fotos de mortos que amo e amei. Saí colocando-os sobre a escrivaninha: minha avó Sunegundes (na verdade o nome dela era Maria da Conceição) que não cheguei a conhecer, minha tia Deó, meu irmão Adonias, ... só não coloquei foto do velho porque acho que ele não gostava muito de mim. Ainda vou colocar a do Antônio e a do vovô. Já que os vivos me abandonaram, viverei cercada pelos mortos. Deu certo para a minha mãe. Ela ficou assim e tempos depois morreu. Pronto. Está feliz. Não quer mais voltar.
Me deu vontade de chorar, meus olhos estão marejados.
Vou contar então mais uma lembrança que tive hoje:
Eu tinha 4 anos, o Adonias tinha acabado de nascer. Minha mãe estava trocando a fralda dele e deu falta do alfinete. Procurou-o, perguntou, depois ao ver-me muito quietinha com as mãos para trás, pediu-me para ver o que eu tinha nelas. Eu estava segurando o alfinete aberto. Ela quis saber o que eu iria fazer com ele. Eu respondi:
- Vou infiar no imbigo dele. É mais um que veio comer a minha comida!
Viram? Psicopata. Só me preocupava com a comida que vivia faltando e aqueles bebês sempre chegando famintos. Depois, o Donia (como o chamávamos) virou um grande fã meu. Fui quase uma mãe para ele. E, depois do da minha mãe, foi o falecimento que mais me doeu até hoje.
Inté.


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