sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Primeira lembrança - Abandonada?

Prometi que escreveria sobre a minha vida aqui, conforme indicação da minha psiquiatra, e só agora me deu vontade. Também estou com vontade de sair à rua, passar no banco, comprar umas coisinhas para o meu tricô, e ainda de dar uma passadinha na minha área de serviço e colocar a roupa branca que lavei na secadora, como vêem, vontade não me falta para nada (a não ser para lavar louça) só me falta coragem.
Bem, vamos lá, como tenho tomado tarja preta, o medo de muitas memória já terem ido para a terra do sem fim é grande, então começarei pela primeira que me vem à mente.


"1955 ou 1956 - Tinha eu de dois para três anos, creio eu, não tenho ninguém para confirmar, quando me via aos prantos, juntamente com minha irmã um ano mais velha, sentada numa tampa de fossa séptica (é, naquele tempo as casas possuíam isso), numa altura em que não conseguíamos descer. Só me lembro do nosso pranto sofrido e coletivo e dos nossos pezinhos balançando. O porque de tanto choro? Minha mãe e minha irmã mais velha estavam na casa da vizinha, dois quintais depois, e as avistávamos pelas cercas das casas."

Não sei como isso acabou, minha mãe deve ter voltado, enxugado nossos narizes e olhos e tudo deve ter voltado ao normal, mas essa imagem nunca me saiu da cabeça, creio que, como disse uma psicóloga que frequentei, foi a minha primeira sensação de abandono.
Por hoje chega. Já são 16:07, estou assistindo a um jornal com o meu amado Sidney Resende, mas terei que abandoná-lo para tomar um banho e cuidar da vida. Que dó!
Um beijo para quem é de beijo e um abraço para quem é de abraço. Aperto de mão não, ando com muito nojo de tocar nas mão das pessoas e quando elas vêm me cumprimentar vou logo abraçando, assim encosto nas roupas, não na pele (T.O.C. se instalando!!!!!!!)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Nada pra fazer

Oi,
Virei (do verbo vir) aqui com mais frequência. Na última vez em que estive na minha psiquiatra, pedi a ela para fazer tratamento com eletrochoques, pois eles provocam algum curto-circuito, que provocam novas sinapses que, por sua vez, podem me libertar da depressão, pelo menos temporariamente.
Ela me falou que não é bem assim e que eu não teria indicação para esse tipo de tratamento. Então tá - disse-lhe eu - por que parece que já nasci deprimida, estou assim há muitos anos, cheia de dor e tristeza.
Ela me disse: - parece-me que vc tem fibromialgia.
- Eu tenho diagnóstico de fibromialgia, há mais de 15 anos, mas a minha médica me disse que nunca diagnosticou essa doença, pois ela não existe, é apenas psicossomática.
- É psicossomática, mas existe.
E agora, quem tem razão, minha médica ou minha psiquiatra? Fibromialgia é doença ou não? Existe ou não? Eu a tenho ou não?
Bem, meu cérebro deu tilt nesse momento do diálogo e como agora minha configuração é mínima, deixei esse papo pra lá e voltei à conversa sobre o tratamento com eletrochoques. Falei:
- Doutoura, eu sei que a nossa memória vai pro brejo. Eu não me importo. Uma vez quando contei a uma psicóloga minha primeira lembrança, ela comentou:
- Sua primeira lembrança é tão triste...que sensação de abandono...
Eu fiquei plasma (sei que é pasma, é que gosto de fazer umas gracinhas de vez em quando, mesmo quando o assunto é sério), essa lembrança nunca me abandona e até hoje, 54, 55 anos depois, ainda está tão vívida! Mentira, eu acho que nenhuma lembrança me abandona. Minha irmã mais velha diz que eu e minha outra irmã temos memória de elefante, não esquecemos de nada. É curioso ela dizer isso, pois já deixei até de viajar para o Caribe de graça com direito a acompanhante, porque perdi o prazo por puro esquecimento.
Confuso, né? Xá prá lá. Eu também não entendo.
Aí, minha psiquiatra me disse para anotar todas as minhas lembranças. Vai que um dia eu comece a esquecê-las?
Achei legal a ideia, já que ultimamente tenho tentado acessar o HD do meu cérebro e creio que ele ou está cheio demais ou quase vazio, porque não tenho mais acesso a muitos arquivos de que necessito, nos momentos em que mais preciso deles.
Vou começar hoje a escrever minhas lembranças e será aqui neste blog, já que ninguém o lê não estarei explanando demais minha vida e se alguém o ler, azar, quem mandou publicar???
Elas não estarão em ordem cronológica, estarão em ordem de acessibilidade (acessar, acesso, acessibilidade, em outras épocas eu teria vários sinônimos na cabeça, agora...., bem o importante é que "tô nem aí").