Virei (do verbo vir) aqui com mais frequência. Na última vez em que estive na minha psiquiatra, pedi a ela para fazer tratamento com eletrochoques, pois eles provocam algum curto-circuito, que provocam novas sinapses que, por sua vez, podem me libertar da depressão, pelo menos temporariamente.
Ela me falou que não é bem assim e que eu não teria indicação para esse tipo de tratamento. Então tá - disse-lhe eu - por que parece que já nasci deprimida, estou assim há muitos anos, cheia de dor e tristeza.
Ela me disse: - parece-me que vc tem fibromialgia.
- Eu tenho diagnóstico de fibromialgia, há mais de 15 anos, mas a minha médica me disse que nunca diagnosticou essa doença, pois ela não existe, é apenas psicossomática.
- É psicossomática, mas existe.
E agora, quem tem razão, minha médica ou minha psiquiatra? Fibromialgia é doença ou não? Existe ou não? Eu a tenho ou não?
Bem, meu cérebro deu tilt nesse momento do diálogo e como agora minha configuração é mínima, deixei esse papo pra lá e voltei à conversa sobre o tratamento com eletrochoques. Falei:
- Doutoura, eu sei que a nossa memória vai pro brejo. Eu não me importo. Uma vez quando contei a uma psicóloga minha primeira lembrança, ela comentou:
- Sua primeira lembrança é tão triste...que sensação de abandono...
Eu fiquei plasma (sei que é pasma, é que gosto de fazer umas gracinhas de vez em quando, mesmo quando o assunto é sério), essa lembrança nunca me abandona e até hoje, 54, 55 anos depois, ainda está tão vívida! Mentira, eu acho que nenhuma lembrança me abandona. Minha irmã mais velha diz que eu e minha outra irmã temos memória de elefante, não esquecemos de nada. É curioso ela dizer isso, pois já deixei até de viajar para o Caribe de graça com direito a acompanhante, porque perdi o prazo por puro esquecimento.
Confuso, né? Xá prá lá. Eu também não entendo.
Aí, minha psiquiatra me disse para anotar todas as minhas lembranças. Vai que um dia eu comece a esquecê-las?
Achei legal a ideia, já que ultimamente tenho tentado acessar o HD do meu cérebro e creio que ele ou está cheio demais ou quase vazio, porque não tenho mais acesso a muitos arquivos de que necessito, nos momentos em que mais preciso deles.
Vou começar hoje a escrever minhas lembranças e será aqui neste blog, já que ninguém o lê não estarei explanando demais minha vida e se alguém o ler, azar, quem mandou publicar???
Elas não estarão em ordem cronológica, estarão em ordem de acessibilidade (acessar, acesso, acessibilidade, em outras épocas eu teria vários sinônimos na cabeça, agora...., bem o importante é que "tô nem aí").
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